Shame
Física do Estado Sólido
Antes de qualquer psicologismo moralizante ou machismo obcecado, ‘Shame’, de Steve McQueen nos coloca diante de um filme rigorosamente físico. A rigidez, inclusive literal, da palavra se coloca tanto em termos superficialmente reconhecidos a partir da lógica corporal (e humana) como também de uma correlação conceitual da física enquanto ramo da ciência.
Rubber
“Everybody comes to Hollywood
They wanna make it in the neighbourhood
They like the smell of it in
Hollywood
How could it hurt you when it looks so good?”
‘Hollywood’, Madonna
Do respeitável público a puta que o pariu
Qual seria o espaço do espectador? Este ser individual ou coletivo que reunido numa situação específica tende a esperar e receber, mesmo que de maneira ativa em seus processos mentais ou sensoriais, o fluxo direcionado de certas informações, situações, imagens. Imagens aprisionadas, espectador aprisionado. Ao menos no cinema, em seu espaço (agora rigorosamente físico) a graciosa ironia de que as imagens ou o mundo uma vez aprisionado pela câmera, pelo enquadramento irão ser libertados durante a sua recepção, assim como seus espectadores, presos em suas poltronas até que o fim do filme os livre das amarras de sua narrativa.
Sleeping Beauty

“O mais profundo é a pele.”
Paul Valéry
Assepsia Sexual
Em ‘A Bela Adormecida’ uma jovem e bela princesa adormece a partir de uma maldição num sono profundo e eterno até que um príncipe apaixonado venha até seu leito de morte e sonho e deposite em seus lábios um beijo de puro amor. A versão mais conhecida do conto é a feita pelos famosos Irmãos Grimm, publicada em 1812, na obra ‘Contos de Grimm’ sob o título ‘A Bela Adormecida’ ou ‘Dornröschen’ no original.
A Ficção (?) do Controle

La Nuit
“Caresse l’horizon de la nuit, cherche le coeur de jais que l’aube recouvre de chair.
Il mettrait dans tes yeux des pensées innocentes, des flammes, des ailes et des verdures que le soleil n’inventa pas.
Ce n’est pas la nuit qui te manque, mais sa puissance.”
Paul Éluard ‘Capitale de la Douleur’, 1926
A idéia constitutiva de uma conspiração, o elemento invisível que permeia, persegue e atenta com a naturalidade da vida sempre esteve presente no imaginário e na própria dita realidade vivida. Teorias e desaparecimentos sempre foram mote e processo tanto para a vida quanto a criação de uma vida ou de várias.
Os Amores Imaginários

“Bang Bang
io sparo a te
Bang Bang
tu spari a me
Bang Bang
e vincerà
Bang Bang
chi al cuore colpirà”
‘Bang Bang’, Dalida
Eros Invisível
Os Sapatinhos Vermelhos

“je danse, donc je suis.
tu danses et je te suis.
mais si je te suis,
ce nést pas pour ce que tu penses,
c’est pour la danse,
pas pour la vie.
c’est pour la danse,
pas pour la vie.
c’est pour la danse,
pas pour la vie.”
‘Je danse Donc Je Suis’, Brigitte Bardot
Plié, pule (e sangre)
A Pele que Habito

Cicatriz Interior
Em determinado momento de ‘A Pele que Habito’, o personagem de Antonio Banderas avisa para não se olhar apenas as superfícies. A frase que poderia ser proferida em tom de aforismo é dita de maneira bastante ligeira dentro de um diálogo casual, mas obviamente revela claramente o comentário mais adequado sobre o filme. Num dos seus filmes mais desprovidos da abundancia cromática já usual, que ao longo do tempo se tornou inclusive um adjetivo para determinadas tonalidades e utilizações de cor, Almodóvar pinta uma superfície (vale ressaltar o quanto de pictórico são seus planos e sua decupagem) mais fria e cautelosa variando de tons pastel a sombras e aspectos mais frios.










































