Shame
Física do Estado Sólido
Antes de qualquer psicologismo moralizante ou machismo obcecado, ‘Shame’, de Steve McQueen nos coloca diante de um filme rigorosamente físico. A rigidez, inclusive literal, da palavra se coloca tanto em termos superficialmente reconhecidos a partir da lógica corporal (e humana) como também de uma correlação conceitual da física enquanto ramo da ciência.
A ‘física da matéria condensada’ é um ramo dentro da física cujo objeto de investigação engloba tanto o da física do estado sólido como também os chamados sólidos amorfos e líquidos, ou seja, trata das propriedades físicas de qualquer matéria. ‘Shame’, apesar de seu título, pouco se coloca profundamente diante de uma vergonha ou mesmo de uma culpa mentalizada em excesso, o que não signifique que não se entregue verdadeiramente a questionamentos intensos no campo psicológico de seu personagem. Porém, acima do cérebro, existe um corpo que, independente de ser guiado por seus estímulos mentais, reage sensorialmente a outros objetos no espaço: este privilegiadamente um grande quadrilátero, linhas, retas e prismas envidraçados da metrópole, “New York, New York”.
O filme de McQueen nada mais é em sua essência que um frio estudo sobre o acúmulo, a fabricação e a dispersão do corpo sexual contemporâneo, imerso no individualismo capitalista de suas obsessões e imagens, de seu controle sobre si e sobre o outro. O que assistimos é este gradual vitrinismo de uma geometria masculina sendo preenchida e esvaziada sucessivamente, repetidamente. Do sólido compacto, a forma espectral em músculos e pele, arestas e vértices enrijecidos de pulsão até chegarmos à passagem da matéria, o líquido inevitável, esperma compulsório do desejo. Fases térmicas do envoltório analisado, mudanças de temperatura, ambientes frios externos, ruas noturnas, suor e respiração acelerada, grande sólido fluido.
Na forma de um condutor de prazer inesgotável, Brandon Sullivan (Michael Fassbender) automatiza regularmente suas ações, catalisa seu olhar, sua mão e seu membro numa cotidiana performance compulsiva, ritmada. Não é a toa que os primeiros minutos do filme já respondem brilhantemente a esta constatação: o plano inicial do corpo nu levemente coberto pelo lençol de cama acompanhado da mecânica sonora do relógio ao fundo que transformando gradativamente na atmosférica trilha sonora de Harry Escott sistematiza ao mesmo tempo a cadência calculada de sua busca inesgotável por uma satisfação nunca plenamente realizada e a sobriedade pesada de sua reiteração extenuante quase beirando o horror e a tragédia (trilha esta utilizada no mais recente desfile masculino da Jil Sander).
Diferente da sociopatia de um Patrick Bateman de ‘Psicopata Americano’, Brandon poderia facilmente recair à figura assimilável de um mero ninfomaníaco. Ao contrário disso, seu perfil é perturbador exatamente por ser próximo demais, guardando a peculiar situação yuppie nova-iorquina específica e deliberadamente utilizada na contextualização de seu perfil, de todos nós ou, pelo menos, potencialmente próxima a todos nós.
É justamente por isso que o drama de Brandon não se torna verdadeiramente sua obsessão sexual, compulsória por todo tipo de depravação virtual ou real do corpo e de seu prazer, ou ainda sua inadequação ao sistema normativo das relações estáveis e duráveis, nem mesmo o conflito limite com sua irmã Sissy (Carey Mulligan), mas sim o simples fato dele estar ao mesmo tempo perto de todos a sua volta (e consequentemente de nós, espectadores, mas antes de tudo também serem humanos) e solitário, distante de todos (e novamente de nós).
O que perturba em ‘Shame’ é esta gélida constatação de uma individualidade coletiva, no caso relacionada ao sexo, na qual todos estamos mesmo que em silêncio, escondidos por trás de um computador, uma webcam ou pessoalmente atrás ou a frente, mas nunca no meio, nunca presentes ou responsáveis pelo parceiro. Uma instintiva pulsão pornográfica onde pouco interessa o afeto ou o nome, a troca será sempre uma imagem, uma mensagem ou algumas horas de entretenimento acumulado exaustivamente até seu próprio esvaziamento.
Este não compromisso ou pertencimento se mostra bastante explícito num diálogo noturno após um jantar com uma amiga, enquanto voltam caminhando até um ponto do metrô. Numa conversa informal o personagem afirma a uma amiga sua preferência idílica a pertencer sempre ao tempo passado ou mesmo a um tempo futuro, mas nunca estar verdadeiramente situado num momento presente, atual. Escapismo de uma responsabilidade com o interlocutor, exceto quando este se torna literalmente aquele que recebe a ação.
Dentro deste aquário organizado, vide o apartamento de Brandon e a própria decupagem do filme, calculados em sua arquitetura, suas linhas, formas, tons cromáticos, o que prevalece é uma repetição que se direciona somente a uma invisibilidade ou a uma distorção (o reflexo espelhado na avenida), refrações de um corpo falsamente observado, controlado, preenchido, destruído, esvaziado e finalmente abandonado.
A masturbação repetitiva fabrica o gozo que será suspenso, o acúmulo de uma satisfação sempre individual, ameaçada pela proximidade de um afeto (a irmã que liga repetidas vezes e aparece repentinamente, a companheira do trabalho afetivamente interessada). Ambas não sobrevivem, cada uma a sua maneira, ao indivíduo controle de seu espaço solitário e ativo. A redoma exige a antítese da proximidade de uma distância. Para que possa haver a verdadeira penetração de todos os sentidos é preciso que haja o reconhecimento desta separação.
Em ‘Shame’, um corpo apenas desdobra-se em dois se ambos reconhecerem o acordo tácito desta disjunção. Não há tempo ou mesmo enquadramento possível e permitido para a existência de um casal, seja ele fraternal, amigável ou principalmente amoroso. E é ainda mais irônico e quase aterrorizante perceber como McQueen nos oferece uma série de planos relativamente longos sem qualquer corte com dois personagens em cena como, por exemplo, Brandon e Marianne (Nicole Beharie) no restaurante ou ele e Sissy assistindo televisão.
Não há possibilidade de um contracampo dentro da estrutura do filme, aos seus personagens é sempre negada esta reversibilidade ideal da troca, se ela existe será sempre dentro de um mesmo enquadramento sem possibilidade da ida e da vinda. A alternância das potências individuais contracenadas ocorre apenas no nível de uma sofrida acumulação dos personagens obrigados a dividirem um mesmo tempo e um mesmo espaço da cena, a única possibilidade de corresponder um ao outro é estando dentro de um estado de fusão com o corpo alheio.
Incompatibilidade de respiro que não seja gemido ou choro, impossibilidade de encontros possíveis a não ser aqueles mediados pela distância reconhecida, efêmera e racionalmente controlada; com a clara (transparência, vidro) intenção de seu propósito e resultado, como bem mostra a seqüência em que o personagem adentra num clube gay apenas para suprir sua necessidade física momentânea e novamente não-sentimental pelo outro ou quando, incapaz de começar uma relação sexual através de um envolvimento pessoal, ele recorre a uma prostituta e assim consegue transar efetivamente.
O que prevalece é a máxima do sexo que prove a necessidade de sermos dois, objetos distintos em períodos de interação, mas jamais um duplo ou conjunto permanente. O entrelaçamento a médio e longo prazo torna-se insustentável, enfraquecido pela improvável capacidade de aprofundar vínculos ou sustentar a constante presença daquele que passa a dividir o ego primordial da sexualidade individual.
As relações se perdem pelas esquinas, se desligam nos monitores ou se cortam nas linhas de trem ou nos banheiros. Não há espaço para réplica quando o que existe é apenas o curto circuito de um prazer partícula, um conjunto que sempre irá começar e terminar centrado no meu corpo. A masturbação que exaustivamente intensifica a produção orgânica de uma matéria única, potente, concentrada e centralizadora do desejo absoluto.
Aqui serve uma definição de Deleuze para a análise do quadro cinematográfico: “O enquadramento é a arte de escolher as partes de todos os tipos que entram num conjunto. Tal conjunto é um sistema fechado, relativa e artificialmente fechado. O sistema fechado determinado pelo quadro pode ser considerado em relação aos dados que ele comunica aos espectadores: ele é informático, e saturado ou rarefeito. Considerado em si mesmo e como limitação, é geométrico ou físico-dinâmico. É um sistema ótico, quando o consideramos em relação ao ponto de vista, ao ângulo de enquadramento: então ele é pragmaticamente justificado, ou exige uma justificação mais elevada. Enfim, determina um extracampo, seja sob a forma de um conjunto mais vasto que o prolonga, seja sob a forma de um todo que o integra.”.
Em ‘Shame’ não há extracampo que não seja aquele referencial ao próprio personagem, inflado e lustrado pela sua mesma ressonância. Assistimos, portanto a um gradual orgasmo sempre suspenso, postergado e doloroso de uma mise en scène insípida e viciada pela sua própria frieza.
Não há vergonha maior do que aquela que não sabe a razão de sua própria existência.
MATHEUS MARCO
matheusmarco@brrun.com
Fotos: Divulgação
BRRUN entrevista Walter Rodrigues

Walter Rodrigues @ Entrada final — Fashion Rio Spring 2012
Em meio aos preparativos para o Preview do Inverno 2013 em Novo Hamburgo — evento que aconteceu dia 08 de maio, comando por Walter na Fenac — Walter — sempre querido —, abriu uma exceção para conversar com o BRRUN.COM. Acompanhe abaixo as perguntas feitas ao Walter pelo nosso colunista Brunno Almeia Maia:
BRRUN.COM — A escritora inglesa Virginia Woolf diz em seu “Teto todo seu” que literatura é uma espécie de teia que perpassa, interfere e até certo ponto, se entrecruza com a vida – material e ideal – do criador. Não vejo muito sentido em dizer o contrário para a criação da beleza em moda, já que longe de alguns críticos, coloco-a em uma forma também de arte. Pensando nisto, o que o Walter anda sentindo, idealizando, sonhando e desejando para a próxima coleção que esteja ligada com o presente de sua vida? Ainda. Li que você vai para a Coréia, Vietnã e Camboja. Estamos curiosos. O que Walter, como criador, vai buscar nestes lugares para as próximas coleções?
WALTER RODRIGUES — Confesso que também acredito nisto. É impossível hoje criar, seja o que for sem levar em conta as experiências. Este vivenciar permite você ser tocado sensorialmente por tudo, sejam imagens, sons, sabores. Tudo isto e mais a cultura imaterial de um lugar com certeza farão a diferença no momento de criar algo original e autoral. Neste momento eu estou em um período sabático. Decidi pular o Verão 2013. Finalmente o calendário brasileiro será renovado, era preciso, não podíamos continuar a lançar as coleções tão tarde. Tudo ficará mais organizado a partir de agora. Mas para tudo entrar nos eixos, também é necessário fazer três desfiles ao ano, e isso estava fora de cogitação para mim. Também havia a viagem para a Ásia, que faz parte do meu trabalho como Coordenador do Núcleo de Design da Assintecal. Nesta viagem eu e Ilse Guimarães, superintendente da Assintecal, buscaremos novos caminhos visitando a Coréia, o Vietnã e o Camboja. Sei que serei tocado pela beleza e pela cultura destes lugares mágicos. Confesso a ansiedade com tudo isso.

Walter Rodrigues — Fashion Rio Fall 2012
BRRUN — Eu fiquei curioso quando um jovem estilista brasileiro disse que não fazia moda, mas sim roupa. Até escrevi naquele meu artigo que fiz para o fanzine do Fórum de Inspirações da Assintecal algo como – ao se referir ao trabalho de modelagem de Kawakubo – “só faço roupa. O resto vem depois“. Tenho pensado muito nisto: sobre o que é materialidade que se transforma em um signo. No fundo – se pensarmos – ela destoa o poder egocêntrico do mecanismo da moda (sistema binário) e coloca a criatividade e a poesia na persona que traz essa poética para o corpo, ou ainda, mostra como o poder da moda é transversal, descentralizado e muito mais complexo. É interessante e polêmico esse pensamento, você não acha? Até que ponto essa frase é mais um jogo de palavras que reside na beleza ou uma sinceridade para um processo criativo?
W.R. — Para mim moda deve ser entendida em três momentos. Claro, há o momento da criação na qual se refere este “estudante”, mas moda não fica só neste patamar. Ela se estende e é absorvida em outras sequências, até que ela se banalize e saia de cena, sendo que neste momento outros movimentos já estão sendo expandidos. Tentarei explicar! Momento 1: Aqui falamos de pessoas especiais, que pode ser o nosso jovem estudante ou pode ser qualquer um não conformado com o rumo estético do momento. Este indivíduo é tocado por uma energia que pode ser a da música, da arte, da TV ou do cinema, e no momento de se vestir, ele buscará uma nova forma de expressar este descontentamento, criando assim uma nova maneira de portar a roupa. Por isso entendo a importância de fazer “roupa” e não moda, mas vamos adiante… look feito: nosso jovem irá se diferenciar, será notado e despertará em outros uma vontade de compor seu look inspirado nesta nova maneira de editar as roupas. Momento 2: O tal Look passa a ser trabalhado por um grupo de pessoas que se comunicam e que transmitem aos devidos canais de difusão, o qual cool, esta nova ideia de moda. Momento 3: Imediatamente esta imagem – que até então estava resumida a vontade do nosso jovem estilista de mostrar-se independente do mainstream – torna-se um desejo ampliado para outros jovens – também tocados pela música, pela arte, pela TV e pelo cinema – intensificando o consumo e pulverizando a idéia, esgotando-a. Para mim Moda sempre será “parecer com”. Sempre teremos um ponto de partida para atingirmos esta originalidade que será copiada e encontrará seu fim no momento que descobrirmos outra silhueta a quem gostaríamos de parecer. “É que Narciso acha feio tudo que não é espelho”, já cantava Caetano.
BRRUN — Creio que foi o pensador francês Roland Barthes que disse algo como: a moda com m minúsculo é a poética e Moda com M maiúsculo é o sistema. Faz sentido pensar nisto em um momento em que a subjetividade virou mercado e o mercado se subjetivou?
W.R. — Acho que Moda – sistema – não existiria sem a moda, poética. Para que exista o sucesso do sistema, deverá existir uma poesia. Neste momento difícil em que se encontra o mundo, o mercado tentará subverter tudo o que ele encontrar de poético para alavancar as vendas. Hoje trabalhamos buscando nichos de mercado, segmentando os produtos, focalizando lifestyles. Se o que é subjetivo pode virar lucro, vamos descobrir uma maneira de torná-lo acessível a todos, democratizando-o e até banalizando-o em troca de lucros. Hoje neste mercado voraz, não há mais pudor ou regras. É olho por olho e dente por dente.

Walter Rodrigues — Fashion Rio Spring 2012
BRRUN — Na temporada de inverno 2012 de Paris, o crítico Tim Blanks do Style.com, ao falar da apresentação de Rei Kawakubo com sua Comme des Garçons trouxe para o debate a questão da tridimensionalidade de um desfile na transmissão online. Se chegarmos neste estágio, teremos na “sala de desfile” apenas a roupa, a modelo e a poesia? Até que ponto o contato com o público – neste momento– é importante para a criação e afirmação de uma nova estética de moda?
W.R. — Acho que é fundamental que haja público. É indescritível para quem trabalha, estuda e vive de moda sentir aquele frio na barriga por saber que esta vivendo um momento único de uma grande coleção. O mágico disto é que nem o designer pode prever o que acontecerá, e assim só teremos criticas apaixonadas e debates calorosos se houver a presença do público. Entendo a necessidade de ampliar com tecnologia a atenção de novas audiências, mas para mim este efeito tecnológico deve ser usado em outro estágio e não no início, poético de uma expressão de moda. Confesso que o vídeo nos deu uma nova maneira de compreender um desfile. Antes o fazíamos apenas por meio das fotos. Apenas a parte frontal das modelos era revelada, cabendo a nós, interessados, definir ou imaginar as costas de uma roupa. Hoje podemos vê-las em movimento e assim analisá-las tridimensionalmente, entendendo a mensagem enviada pelo designer, sem tentar adivinhá-la. Hoje sabemos a importância das imagens de um desfile. Em como estas – no caso da Comme des Garçons – influenciará na venda das outras etiquetas do grupo, como a Play, Comme des Garçons Shirt, Comme de Garçons Tricot. Nesta arena em que estamos situados vale tudo para sermos notados, reverenciados, desejados. A estranheza já provou em muitos casos ser um fator importante para a perpetuação de uma marca.
BRRUN — Em um momento histórico causado pelas mudanças climáticas, ambientais e ecológicas, faz sentido – ainda – dividir um calendário de moda de um país pelas estações? O que você pensa sobre isso, já que acaba de anunciar que não fará parte da temporada de desfiles do Verão 2013 do Fashion Rio?
W.R. — Tenho afirmado que não criaremos mais por estação, podemos explicar isso pelo fenômeno do fast fashion, coleções menores em um curto espaço de tempo, buscando conquistar o consumidor pelo “novo”. Sendo assim o conceito de verão ou inverno será diluído. Podemos também procurar entender novos caminhos, como é o caso do hemisfério sul em que vivemos. A grande quantidade de aparelhos de ar condicionado faz com que tenhamos peças de mangas compridas em todas as coleções. Estamos vivendo sob os 18/20 graus, seja no trabalho corporativo, nos shoppings centers, nos aviões, nos cinemas, em casa. Mesmo nas coleções de alto verão é possível encontrar cardigãs leves para suprir esta nova demanda. Mas no Brasil, há muito se discute esta nova ordem, e eu concordo com ela. Para planejar e produzir este novo calendário é melhor. Basta dizer que teremos natal e ano novo: algo que nunca acontecia!
BRRUN — Walter, se você tivesse o poder para determinar o formato de uma temporada de moda brasileira, como seria a apresentação poética e comercial do evento?
W.R. — A parte poética que é bem pequena ficaria bem resolvida, pois já estamos aptos a promovê-la. Ela também está “contaminada” por marcas e produtos que nada têm de poéticos e que estão atrelados a ela, para buscarem uma imagem de moda, sendo que eles são apenas produtos sem identidade e sem motivação para serem poéticos. Eu apenas dividiria em dois tempos: um para as ideias e outro para as vendas, canalizando este segundo momento para o consumidor e dando chance a ele para interagir e sair de lá vestido ou calçado sem ter que esperar. Infelizmente, sabemos que as idéias não movem os moinhos, e então, precisamos no final das contas, de ficarmos conformados com a mistura, e fazer das idéias poéticas um “trampolim” para fugir da mesmice. Confesso que dói dizer isto, mas é a realidade.
BRRUN — Em aproximadamente 30 anos de moda brasileira: o que é “nosso” e o que ainda é desejo apenas de ser destaque do dia seguinte?
W.R. — Trinta anos é muito pouco tempo para a definição de um caminho ou de um Made in Brazil. Imagine a dificuldade de desatrelar-se do folclórico, do exótico, do piegas, que é o que muitos entendem como o “estilo brasileiro”. Já temos referências de estilo, já discutimos como podemos ampliar a expressão de autenticidade do nosso lifestyl, que sabe encantar. Cada vez mais precisamos buscar nossa originalidade e fazer disso nossa moeda. Não basta imitar, “copiar melhor”, adaptar o que é costumeiro aqui no Brasil em termos de design. Temos que entender a sintonia de gosto e estilo do que esta sendo desejado no mundo, e projetarmos estes sinais em nossos produtos, tornando-os desejáveis, porém únicos.

Walter Rodrigues — Fashion Rio Fall 2011
Texto: Brunno Almeida Maia e Walter Rodrigues
Edição: Bruno Capasso
contact@brrun.com
Fotos: Divulgação
Sónar SP – 2012
O Sónar – Festival Internacional de Música Avançada e New Media Art que acontece desde 1994 em Barcelona, chega ao Brasil nos dias 11 e 12 de maio, no Parque Anhembi em São Paulo. Grandes nomes da música eletrônica mundial e artistas de vanguarda se apresentarão nos dois dias de festival, que contará também com workshops, debates e conferências com importantes nomes da new media, voltados a indústria musical e tecnológica aplicada a criação audiovisual.
Dentre as atrações, estão confirmados os shows de Kraftwerk. O duo francês de electro-rock Justice, que também apresentará seu trabalho de 2011, o disco Audio, Video, Disco. Os britânicos James Blake, Four Tet e Totally Enormous Extinct Dinosaurs. O dark wave das canadenses Austra. E artistas brasileiros, como o duo carioca The Twelves, Psilosamples, Criolo, entre outros.
Com a proposta da integração entre música avançada e tecnologia aplicada à criação artística, o SónarSP propõe uma experiência nova até mesmo aos já exploradores da new media no Brasil. Há muito o que difundir e discutir sobre essas linguagens inovadoras de tecnologia audiovisual, para isso, o Festival criou o SónarPro. Segundo os criadores é “o ponto de encontro entre os profissionais da indústria musical e tecnológica aplicada a criação audiovisual e new media, assim como um espaço que visa despertar o interesse do público mais inquieto e interessado pelas novidades tecnológicas aplicadas ao mundo artístico.”
Os interessados em se aprofundar nesta área de vanguarda, podem se inscrever para os workshops que acontecerão durante o evento. O programa será dividido em quatro modalidades e para participar é preciso se cadastrar. Mais informações, você pode adquirir aqui.
Além de atividades voltadas a música, criação e tecnologia, o Festival contará com um espaço dedicado a projeções cinematográficas e conteúdos audiovisuais selecionados através dos Festivais de Cinema mais importantes da Cataluña. Os vídeos se destacam pela qualidade e originalidade das suas propostas e serão atrações do SónarCinema, vinculado ao SonarPro.
Nós da redação já temos nosso itinerário trajado para as apresentações musicais e aguardamos ansiosamente pelo mês de maio. Listamos abaixo, alguns dos artistas que se apresentarão no festival em seus vídeos mais bacanas. Também é possível conferir toda a programação no site do SónarSP.
Four Tet – Hands
Austra – Spellwork
Little Dragon – Crystalfilm
Justice – AUDIO, VIDEO, DISCO.
Chromeo – Momma’s Boy
O Sónar está logo ai e para quem não quiser ficar de fora, os ingressos ainda estão sendo vendidos pelo site.
Mas, isso ainda é só o começo. Vocês ainda ouvirão falar muito sobre o evento mais cool do outono brasileiro.
MARINA RIMA
marinarima@brrun.com
Foto: Divulgação
Confira as fotos do NOVA — Festival De Cultura Contemporânea // MIS SP
Confira abaixo na galeria de fotos, os cliques de Giselle Galvão, retratando todo o NOVA — Festival De Cultura Contemporânea, que está rolando no MIS — Museu da Imagem e do Som — SP.
Fotos: Giselle Galvão © Copyright NOVA — Festival De Cultura Contemporânea
Dior: a maison francesa mais famosa

By Gérard Uféras — Dior Spring/Summer 2012 Haute Couture
O tempo, os tempos… Em tempo? A tempo? Veremos que…
“…Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo…”
Maria Bethânia – Oração ao Tempo
Um texto para falar de Alta Costura, o trabalho da maison francesa mais famosa, onde o espírito de seu criador ainda é sentido. Uma chama inventiva dos anos 40 conhecida como “New Look”.

Vogue Italia, March 2012 — A Lady in Spring — Marie Piovesan by Paolo Roversi and styling by Panos Yiapins — Piovesan wears Dior Spring/Summer 2012 Haute Couture

Vogue Japan, May 2012 — Couture To Adore — Anja Rubik by Patrick Demarchelier and styling by Anna Dello Russo — Anja Rubik wears Dior Spring/Summer 2012 Haute Couture
Monsieur Dior ou Christian Dior resgatou a opulência adormecida no pós guerra. Hoje, uma casa repleta de história, com tantos pilares quanto a Acrópole, pilares da moda como Yves Saint Laurent, Marc Bohan, Frédéric Castet, Gianfranco Ferré, John Galliano e agora após um ano de especulação, Raf Simons.

Dovima by Richard Avedon — wears Dior by Yves Saint Laurent, 1950
Dior by Marc Bohan — Spring/Summer 1967 Haute Couture
Dior by Frédéric Castet — Haute Fourrure Fall 1981
Dior by Gianfranco Ferré — F/W 1989 Haute Couture
Dior by John Galliano — Spring/Summer 1997 Haute Couture
Formado em Ciências Políticas, monsieur começou vendendo esboços de desenhos de seus chapéus, e só em 1938, ainda durante a guerra no sul da França que Robert Piguet, perfumista, lhe deu o primeiro emprego. Em 1941, Christian Dior trabalhou com Lucien Lelong e posteriormente, já estava preparado para abrir sua própria casa. Foi então que em 1946, a Avenue Montaigne ganhava a mítica casa de Christian Dior. Hoje, durante a semana de moda de alta costura parisiense, o desfile mais aguardado é da maison Dior.

Dior by Galliano — Spring/Summer 2011 Haute Couture

Dior by Bill Gaytten — Fall/Winter 2011 Haute Couture

Maison Dior — Spring/Summer 2012 Haute Couture
Charles Frederick Worth foi o predecessor desta técnica minuciosa, que hoje goza de de proteção jurídica e que só pode ser usada por empresas que atendam a determinados padrões:
- Ter uma Maison.
- Cada uma precisa empregar no mínimo 20 artesãos especializados.
- Situada em Paris, entre as avenidas Champs Elysées, Montaigne e Georges V.
- Os modelos têm de serem artesanais, acabamentos feitos a mão.
- A sede precisa ter ao menos 5 andares, e dispor de um espaço para desfile.
- A marca deve apresentar duas coleções ao ano, em Paris, e cada uma deve ter no mínimo trinta e cinco modelos originais para o dia e para a noite.
Este ano, pela primeira vez, Xangai teve seu primeiro desfile de Alta Costura, e o debut foi feito pela Christian Dior. Neste final de semana, a maison promoveu seu desfile de Spring/Summer 2012 no colonial “The House of Roosevelt”.

Maison Dior — Xangai — Spring/Summer 2012 Haute Couture
Além do desfile, uma exposição temporária está sendo organizada com fotos de Gérard Uféras. O fotógrafo foi o único autorizado para capturar cada instante no atelier da maison e no backstage do desfile da coleção em Paris, que aconteceu no mês de janeiro.

By Gérard Uféras — Dior Spring/Summer 2012 Haute Couture
Agora só nos resta esperar a estreia do garoto belga, prodígio da Jil Sander que traz intrínseco em si, um minimalismo afiado e limpo de savoir faire avant-garde, típico dos estilistas compatriotas que bebem da mesma fonte como Martin Margiela e Dries Van Noten.
Simons será responsável pelas coleções: haute couture, prêt-à-porter e acessórios femininos.
Vous voyez à Paris!
FELIPE HICKIMAN
felipehickiman@brrun.com
Fotos: Divulgação / Arquivo BRRUN.COM











































































































































































